Segundo a Prefeitura, a retirada foi feita porque as árvores apresentavam instabilidade (Foto: Reprodução/TV Integração)
A retirada de oito árvores do canteiro central da Avenida da Saudade, em Uberaba, gerou polêmica entre os moradores e ganhou repercussão também nas redes sociais desde a última semana. Muitos afirmam que as árvores estavam saudáveis e não precisavam ter sido retiradas. No lugar de ipês, figueiras e sibipirunas, foram plantadas palmeiras.
Segundo a Prefeitura, a retirada foi feita porque as árvores colocavam pedestres e motoristas em risco, por apresentarem instabilidade. Seis das oito árvores tinham raízes superficiais e ficariam mais expostas por causa da reestruturação do canteiro central para as obras do BRT/Vetor.
As outras duas, de acordo com a Prefeitura, apresentavam comprometimento por cupins, fungos e necrose no caule, além de galhos epicórmicos, que é quando os galhos não estão fortemente ligados ao tronco.
Ao tomar conhecimento de que algumas árvores de ruas e avenidas por onde o BRT/Vetor vai passar seriam cortadas, o ambientalista Carlos Perez criou o movimento ambiental "Marcadas para morrer ou viver, depende de nós", e fez um abaixo-assinado foi feito em defesa da permanência das árvores.
“Nosso movimento começou porque as árvores que estavam no trajeto do BRT foram marcadas de vermelho para serem suprimidas. Na Avenida da Saudade, por exemplo, mais de 100 árvores seriam retiradas; junto com a Rua Coronel Bento Ferreira, daria mais de 200 árvores. Então, fizemos um coração branco sobre estas marcas vermelhas para que elas não fossem suprimidas. Temos o acompanhamento técnico de um engenheiro florestal e de um engenheiro agrônomo que estão nos apoiando. Acompanhamos o processo, tiramos fotos de todas as árvores e nenhuma apresentava risco e isto foi repassado para a Prefeitura”, alegou Perez.
No lugar de ipês, figueiras e sibipirunas, foram plantadas palmeiras (Foto: Reprodução/TV Integração)
Mychelle Caravalho é professora de paisagismo e, segundo ela, para que o corte de uma árvore seja feito são analisados alguns critérios, um deles tem a ver com os riscos que essa planta oferece.
“A primeira parte que a gente pode observar é a sanidade da árvore, ou seja, se ela apresenta algum ferimento, alguma rachadura no tronco. Esses ferimentos e rachaduras podem ‘abrir portas’ para pragas e doenças que enfraquecem a madeira da árvore e, com o tempo, ela se tornar frágil e cair. Então isto traz risco à população”, avaliou Mychelle.
Mas nem sempre as quedas estão ligadas a idade ou doenças, segundo ela. Ainda segundo Mychelle, no passado, muitas espécies foram plantadas sem estudo e isso, a longo prazo, pode se transformar em um problema.
“O ideal é que se faça um planejamento da arborização urbana. Qual é a árvore ideal? É a árvore que está no lugar certo. Mas com o crescimento da cidade, uma árvore que estava adequada a determinado local pode ter que ser substituída para trazer segurança ao transito ou aumento da crescimento da via, das faixas. Então, nesse caso esta árvore antiga precisa ser substituída por uma espécie que tem uma copa mais adequada e que ocupe menos espaço. Dependendo do porte da árvore, ela tem um espaço que ela precisa para crescer e se desenvolver” explicou a professora.
Qualquer corte deve ser analisado com cuidado.
“É essencial que se consulte um profissional para que ele indique a melhor medida a se fazer com aquela espécie. Não se pode ir retirando árvores, assim, só porque você acha que ela está incomodando ou porque ela está com algum problema. Tem que ser comprovado, por meio de estudo, para ver qual é a melhor medida”.

Retirada de árvores da Avenida da Saudade, em Uberaba, gera polêmica
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