segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Com síndrome de down, amapaense toca há 25 anos em escola de samba

ritmista, síndrome de down, carnaval, bateria, escola de samba, amapá, macapá (Foto: Divulgação/Boêmios do Laguinho)Adolfo Monteiro toca chocalho na Universidade de Samba Boêmios do Laguinho (Foto: Divulgação/Boêmios do Laguinho)

Aos 52 anos, o amapaense Adolfo Monteiro é um personagem icônico na Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, em Macapá. Portador de síndrome de Down, ele é apaixonado por carnaval e demonstra muita alegria ao ser ritmista na agremiação. Com ajuda do som do batuque dos tambores e o balanço do chocalho, que toca há 25 anos, ele conta que conseguiu superar o preconceito.

ritmista, síndrome de down, carnaval, bateria, escola de samba, amapá, macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)Adolfo foi homenageado durante aniversário da
escola de samba (Foto: Jéssica Alves/G1)

Adolfo se tornou o primeiro ritmista da escola com síndrome de Down. Hoje, ele é o componente mais antigo da bateria, feito que lhe rendeu uma homenagem durante o aniversário de 63 anos da agremiação, que é a mais antiga do estado.

Devido à síndrome, o ritmista não consegue se comunicar com clareza. Mas ao recordar o passado, lembra que desde criança demonstrou a paixão pelo ritmo da bateria da escola de samba, som que ouvia dentro de casa, quando morava próximo a quadra onde a escola de samba ensaia, no bairro Laguinho.

"Sempre gostei de carnaval e queria participar e de primeira gostei do ritmo da bateria. Então quis aprender a tocar o chocalho e fui bem recebido. Desde então, sempre participei de todos os carnavais, indo aos ensaios e desfilando pela escola", recordou.

A irmã de Adolfo, a policial civil Narcisa Monteiro, de 55 anos, lembra que quando era criança, o irmão mais novo saía escondido de casa para ir aos ensaios, até que um dia a família percebeu e decidiu apoiar a atividade.

ritmista, síndrome de down, carnaval, bateria, escola de samba, amapá, macapá (Foto: Narcisa Monteiro/Arquivo Pessoal)Família acompanha a rotina de ensaios e desfiles
de Adolfo (Foto: Narcisa Monteiro/Arquivo Pessoal)

"Ele só tinha 9 anos, mas já mostrava um grande amor pelo ritmo da bateria. Desde então, todos os anos nós o acompanhamos nos ensaios e desfiles e para ele, a Boêmios do Laguinho representa uma grande paixão. Ele faz questão de celebrar o carnaval em Macapá por causa da escola", ressaltou Narcisa.

Ela completa que Adolfo é a alegria da casa e é um companheiro de todos os membros da escola de samba, que fazem questão de que ele participe das atividades. O presidente da Boêmios do Laguinho, Jocildo Lemos, diz que ele é um exemplo a ser seguido.

"Nosso ritmista mais antigo tem síndrome de Down, mas isso não é limitação para ele, que é muito dedicado no ritmo. Inclusive ele orienta muitos músicos recém-chegados. Ou seja, é uma alegria ter o Adolfo em nossa bateria", destacou Lemos.

Fora do carnaval, a rotina de Adolfo é bem agitada e inclui o trabalho de auxiliar de escritório, além de outras atividades de lazer, como viagens, treinos de muay thai e jiu-jítsu, e anualmente ele participa do Círio de Nazaré em Macapá, distribuindo água para os fiéis.

"Meu irmão não para, sempre está fazendo alguma atividade que gosta, inclusive artes marciais. Ele já ganhou até medalhas de jiu-jítsu. Pessoas chegam dizendo que ele é uma inspiração. Na escola de samba ele é muito querido e isso nos dá muita alegria, ver que é possível ele fazer o que gosta sem enfrentar preconceitos", se emocionou a irmã.

Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o VC no G1 AP ou por Whatsapp, nos números (96) 99178-9663 e 99115-6081.

saiba mais

0 comentários:

Postar um comentário