sábado, 18 de fevereiro de 2017

Raridades da música, do futebol e de Fortaleza: Nirez abre 'portas' na Caixa

As portas da casa de Miguel Ângelo de Azevedo estão abertas. Não importa se no bairro Rodolfo Teófilo, onde guarda o completo acervo de mais de 141 mil peças, ou na Praia de Iracema, onde está localizada a Caixa Cultural Fortaleza. Na exposição "Arquivo Nirez", que ocorre até 16 de abril, livre para todos os públicos, o visitante passeia por Fortaleza antiga, pelo rico universo musical, pelos discos de cera e de vinil, livros, revistas, equipamentos de imagem e de som. São mais de 200 itens, de curadoria do próprio Nirez e Weaver Lima, que nos transportam para uma espécie de poesia nutrida por Nirez. 

Nirez, exposição, Caixa Cultural (Foto: Thaís Jorge )Nirez e família em exposição, na Caixa Cultural (Foto: Thaís Jorge )

"É uma parte do meu sonho. Eu sempre quis levar toda a população de Fortaleza para conhecer o meu acervo. Como isso não é possível, eu criei várias formas de levar o acervo às pessoas. Pelo programa de rádio, as músicas, e pelas exposições, as imagens. Mantive por muito tempo uma página de jornal, mas aqui na exposição é muito melhor mesmo", deslumbra-se Nirez. 

Os artigos são parte de um museu particular que é mantido há mais de 50 anos e disponibilizado ao público na residência do colecionador. Algumas das peças estão sendo expostas pela primeira vez fora da casa dele. As fotos nas paredes retratam Fortaleza dos primeiros anos do século XX e encantam justamente por mostrarem que o provincianismo é perto demais de nós. Mas que, em tão pouco tempo, a cidade se reconfigurou e trocou os montes de areia por prédios à beira mar. A foto do Estádio Presidente Vargas de 1940, ampliada, com arquibancadas precárias, mas torcidas vibrantes, convida para as fotos ao lado, dos times antigos em suas primeiras atuações. Ceará, Fortaleza e Ferroviário estão representados, com plantel remontando os anos 30. Para o designer Rodrigo Costa Lima, de 39 anos, a exposição é especial justamente por confrontar essas Fortalezas tão distintas.

 "É um acervo incrível e é uma das poucas possibilidades de conhecer fora da casa (do Nirez). Aquela área do farol (do Mucuripe), as imagens com o farol do sozinho, é muito legal conhecer essa história que é tão recente na cidade, mas que é tão distante da gente agora. Você tem umas coisas surpreendentes", afirma o visitante. 

Nirez, exposição, Caixa Cultural (Foto: Thaís Jorge )Exposição traz arquivo de Nirez (Foto: Thaís Jorge )

'Uma faculdade a vida toda', diz filha 

Miguel Ângelo de Azevedo é jornalista, historiógrafo, memorialista e colecionador. Começou a colecionar discos de 78 RPM nos anos 1950, possuindo uma das mais importantes discotecas especializadas do país. Soma-se aos discos uma grande coleção de livros especializados sobre MPB. É dele também o mais importante acervo de fotografias da capital cearense. Para a filha Terezinha de Azevedo, que esteve na abertura da exposição na Caixa Cultural, essa é a chance de os visitantes terem acesso a uma formação que a acompanhou na vida inteira.

"Eu nasci no meio do acervo. Eu acordava de manhã e tinha disco ao redor da minha cama. Não dava nem para levantar. Para mim, é muito natural. O que não é natural é esse material exposto, porque está muito bem guardado em casa. Me dá uma satisfação imensa. É muito bonito, é como um romantismo e as pessoas têm que desfrutar disso. Vivi em uma faculdade a vida toda", conta Terezinha. 

Outro filho, Nirez de Azevedo lembra que, quando o pai saía para o trabalho, ficava a cargo deles receber os estudantes que iam na casa do Rodolfo Teófilo, onde estão todas as peças do pai. "O papai trabalhava e a gente cuidava do acervo", resume. 

Desde 1963, o jornalista mantém o programa Arquivo de Cera, que semanalmente homenageia um músico ou gênero da música brasileira, que vai ao ar pela Rádio Universitária FM, difundindo a música gravada em discos de 78 RPM (cera) sempre com informes históricos sobre cada gravação. Atualmente, Nirez supervisiona o setor de digitalização dos acervos no Instituto Moreira Sales do Rio de Janeiro, coordenando a organização das gravações.

Serviço
Exposição – Arquivo Nirez
Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema), de 17 de fevereiro a 16 de abril (de terça-feira a domingo)
Horário: de terça-feira a sábado, das 10h às 20h, domingo, das 12h às 19 horas 

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