Vendedora e estofador de Minas Gerais representam papéis desde 1987, interruptamente. União deu vida ao filho, de 16 anos, que também participou de todas as peças desde que nasceu.
Em 1987, a vendedora Luzia Luciana de Castro Gonçalves e o estofador, Delci Luis Gonçalves, se conheceram durante a encenação da Paixão de Cristo em São João Nepomuceno, na Zona da Mata. Este ano, eles completam três décadas do encontro e participam mais uma vez do grupo que conta a história de Jesus Cristo na cidade.
“A história da nossa vida foi construída enquanto contamos a história da vida de Jesus. É uma vida abençoada, que agradecemos a Deus todos os dias. É parte da nossa história, fazemos isso com muito gosto, como uma forma de agradecer, divulgar o nome de Deus, evangelizar e fazer com que possa tocar o coração das pessoas", revelou a esposa.
Luzia começou a participar das apresentações atuando como Maria Madalena. Já o marido, que já trocou de papel diversas vezes, disse que a motivação para encenar João Evangelista há 30 anos partiu da vontade de estar perto da mulher amada. “Pedi ao diretor para fazer o papel de João Evangelista, pois, como a Luzia faria Maria Madalena, teria a chance de ficar a maior parte do tempo do lado dela”, contou Delci.
Quase dez anos após o início do namoro, os dois se casaram. Hoje, têm um filho de 16 anos. O adolescente, Guilherme de Castro Gonçalves, participou da encenação todos os anos, desde que nasceu. “Eu ainda estava no início da gravidez, mas não deixei de participar. O Guilherme, antes mesmo de nascer, já participou da encenação e continua até hoje, sem faltar", disse a mãe.
Ao longo dos 30 anos de união e de apresentações, muitas histórias marcaram a vida e ficaram na memória do casal. Uma das principais foi a de quando o filho tinha poucos meses de vida subiu ao palco, no colo, para participar da peça. “Confesso que ficamos com um pouco de medo, mas confiamos na graça de Deus, sabíamos que ele nos protegeria e deu tudo certo”, lembrou Delci.
Outro caso que o casal se orgulha de contar é o de uma apresentação que não deu certo - pelo menos para o público. "Nós nunca tínhamos visto uma estrutura tão grande para a encenação, com uma iluminação maravilhosa, tudo perfeito. O céu estava aberto quando começamos e, em poucos minutos, caiu um verdadeiro dilúvio e destruiu praticamente tudo. Foi uma lição de Deus, que nos mostrou que o que faz da encenação um grande evento não é o luxo e sim a simplicidade", explicou Luzia.
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