sábado, 15 de abril de 2017

Grupos tradicionais iniciam o Ciclo do Marabaixo em Macapá com mais de 15 horas de festa

Programação começou neste sábado (15), com a realização de rodas da dança. Festividade segue até junho, quando ocorrerá o 'Domingo do Senhor'.

Grupos tradicionais fizeram rodas de marabaixo no Centro de Macapá neste sábado (15) (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)Grupos tradicionais fizeram rodas de marabaixo no Centro de Macapá neste sábado (15) (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)

Grupos tradicionais fizeram rodas de marabaixo no Centro de Macapá neste sábado (15) (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)

Iniciou neste sábado (15) o Ciclo do Marabaixo 2017 no Amapá, festividade considerada a maior representação cultural do estado. A programação começou por volta de 7h, em Macapá, com a realização de rodas de dança, embaladas por grupos tradicionais. A festa se estende até junho, quando ocorrerá o "Domingo do Senhor".

A concentração aconteceu em frente a Igreja de São José, no Centro da capital. A festividade é considerada uma herança dos escravos negros que trabalharam na construção da Fortaleza de São José de Macapá, no século 18.

A secretária de Políticas Públicas para Afrodescendentes, Núbia Souza, falou que o Ciclo do Marabaixo é um evento que atravessa gerações, cercado de rituais peculiares, como o culto ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade.

"É o momento em que os grupos tradicionais celebram as crenças ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e é um dos momentos culturais mais importantes do nosso estado. Por isso tem o apoio do governo. O marabaixo é uma festividade folclórica e a maior tradição cultural de matriz africana do Amapá", destacou.

Manifestação cultural é considerada a mais importante do Amapá (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)Manifestação cultural é considerada a mais importante do Amapá (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)

Manifestação cultural é considerada a mais importante do Amapá (Foto: Márcia do Carmo/Divulgação)

Ainda neste sábado, por volta de 17h, aconteceram as rodas de marabaixo nos quatro barracões da cidade, localizados nos bairros Laguinho e Favela, redutos das famílias do Mestre Pavão, Tia Biló, Dona Dica Congó e Dona Gertrudes. E no distrito de Campina Grande, na Zona Rural.

Na programação deste sábado houve ainda o Marabaixo da Aceitação, momento em que cada barracão reverencia, de acordo com a sua tradição, o Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade. O ato segue até a 0h de domingo (16).

A festa é realizada por cinco famílias tradicionais, cumprindo diversos rituais durante dois meses. Além do calendário tradicional, atividades educativas são realizadas, incluindo oficinas nas escolas públicas.

Marcado pela mistura de tradições e religiosidade, o marabaixo tem como elementos os versos musicais, conhecidos como “ladrão”, gengibirra, bebida ritual servida nas rodas, caldo, as blusas floridas e saias rodadas das ‘dançadeiras’, que também usam flores na cabeça, e a tradicional dança, que os participantes arrastam os pés em círculos.

As danças ao som das caixas – como são chamados os tambores de marabaixo – marcam o culto ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade. Também há rituais tradicionais, como a retirada do mastro na comunidade quilombola do Curiaú, levantamento e derrubada do mastro, e o Domingo da Murta – em alusão à erva aromática que serve para enfeitar o mastro.

Pela tradição, a festa segue até o Domingo do Senhor, o primeiro domingo após a celebração de Corpus Christi, este ano no dia 18 de junho. Além dos grupos da cidade, o festejo também acontece na comunidade de Campina Grande, na Área Rural de Macapá.

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