sábado, 2 de setembro de 2017

No AP, 'aula aberta' discute consequências da extinção da Renca para a população

Aula aberta aconteceu nesta sexta-feira (1º), na Unifap, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)Aula aberta aconteceu nesta sexta-feira (1º), na Unifap, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Aula aberta aconteceu nesta sexta-feira (1º), na Unifap, em Macapá (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

As consequências da extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) foram os temas de uma aula aberta realizada nesta sexta-feira (1º), na Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Macapá. Extrativistas, ribeirinhos, profissionais do meio ambiente e estudantes participaram do encontro.

Reserva tem alto potencial para ouro e outros metais (Foto: Arte/G1)Reserva tem alto potencial para ouro e outros metais (Foto: Arte/G1)

Reserva tem alto potencial para ouro e outros metais (Foto: Arte/G1)

De acordo com a ecóloga Verena Almeida, do Fórum de Acompanhamento dos Conflitos Agrários e Desenvolvimento (Facade), que organizou a aula, a ideia foi informar as pessoas sobre os benefícios e males da abertura de quase 4 milhões de hectares de floresta para a exploração mineral.

A ideia, segundo Verena, foi informar sobre as consequências da suspensão da reserva, que vão além do econômico.

“A gente percebeu a necessidade das pessoas terem acesso a mais informações. Não se sabe quais recursos que vão vir para o estado, se tem estrutura para sustentar uma atividade como essa. Então a gente entende que a extinção da Renca não está baseada só no pilar econômico, e quisemos ampliar para outros temas, como o papel da mineração e do garimpo na vida das mulheres, dos extrativistas, dos ribeirinhos e dos indígenas que moram nessas áreas”, explicou Verana.

Extrativista Sebastião Brás trabalha há mais de 45 anos na Renca (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)Extrativista Sebastião Brás trabalha há mais de 45 anos na Renca (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Extrativista Sebastião Brás trabalha há mais de 45 anos na Renca (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

O extrativista Sebastião Brás, de 60 anos, trabalha há mais de 45 anos coletando frutos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, em Laranjal do Jari, numa área que fica na Renca. Para ele, a medida governamental deve deixar mais

“Com a extinção da Renca, toda a população só vai ficar com prejuízo do projeto. Não temos dúvida. A população quer ser ouvida, dizer o que pensa e o que gostaria de ser feito. O decreto não ouviu e não respeitou ninguém. Se ele ouvisse, ficaria mais fácil de trabalhar e teria menos prejuízo para a nação”, destacou Brás.

Ele e outros extrativistas informaram que vão entregar uma carta aberta na segunda-feira (4) ao Ministério Público Federal (MPF), pedindo que as comunidades afetadas com a extinção da reserva sejam ouvidas no processo.

Um dos acessos à Reserva do Rio Iratapuru, no Amapá, parte da Renca (Foto: WWF-Brasil / Luiz Coltro)Um dos acessos à Reserva do Rio Iratapuru, no Amapá, parte da Renca (Foto: WWF-Brasil / Luiz Coltro)

Um dos acessos à Reserva do Rio Iratapuru, no Amapá, parte da Renca (Foto: WWF-Brasil / Luiz Coltro)

Criada em 1984 e localizada entre os estados do Amapá e do Pará, a Renca tem mais de 4 milhões de hectares, aproximadamente o tamanho da Dinamarca. A área, que fica na divisa entre o Sul e Sudoeste do Amapá com o Noroeste do Pará, tem potencial para exploração de ouro e outros minerais, como ferro, manganês e tântalo.

Após uma série de críticas e de ações na Justiça sobre o futuro da antiga reserva na Amazônia, o presidente Michel Temer editou na segunda-feira (28) um novo decreto, mais detalhado. Ele revogou a primeira norma, porém manteve a decisão de extinguir a Renca e liberar a exploração mineral em parte da área.

O magistrado da Justiça Federal no Distrito Federal (DF), que determinou a suspensão do decreto, analisou a medida que tinha sido extinta pelo governo. No entanto, por ter estendido a aplicação para qualquer decreto “sucessor”, a decisão também se aplica às regras vigentes.

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