sexta-feira, 6 de outubro de 2017

'Atendimentos serão mantidos, é uma obrigação médica', afirmam diretores de UPA em Divinópolis

Diretores afirmam que precisam manter vocação de urgência e emergência da UPA, que tem funcionado como um hospital de internação (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Diretores afirmam que precisam manter vocação de urgência e emergência da UPA, que tem funcionado como um hospital de internação (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

Diretores afirmam que precisam manter vocação de urgência e emergência da UPA, que tem funcionado como um hospital de internação (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

As direções clínica, técnica e administrativa da Unidade de Pronto Atendimento da (UPA) Padre Roberto, em Divinópolis, afirmaram durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6), que os atendimentos na unidade serão mantidos, mas que precisam retomar com a vocação de urgência e emergência da unidade, que tem funcionado como um hospital de internação.

Nesta manhã, o diretor administrativo da unidade, José Orlando Fernandes Reis, disse que a UPA atende cerca de 400 pacientes por dia e, desses, 60% não são casos de urgência e que, portanto, eles poderiam ser atendidos na atenção primária. Segundo ele, a unidade conta, hoje, com o dobro de pacientes que têm condições de atender e mais de 150 pessoas aguardam vagas em leitos hospitalares em casa.

"Esclarecemos que não é comum reencaminhar esses pacientes para casa e isso só ocorre situações críticas, como a que estamos vivendo agora. Para que fique claro, o paciente chega na unidade e é triado, atendido e, de acordo com a condição dele, é liberado para casa, mas o cadastro no SUS Fácil continua. O que está culminando hoje é o limite de uma situação histórica que chegou em um ponto caótico", destacou o diretor técnico, Marco Aurélio Lobão.

A direção da unidade foi enfática ao afirmar que não deixarão de atender os pacientes, e que não vão abrir mão da vocação assistencial de urgência e emergência, e que não podem continuar fazendo o papel de unidade básica de saúde e de hospital.

"Para isso é preciso que haja uma intensa conscientização com a população para que se adeque em procurar, nos casos em que é possível, as unidades básicas de saúde, os postos de saúde de referência de cada região para que esses pacientes não cheguem à UPA”, disse.

A UPA conta com 80 médicos. Desses, 40% está sem receber há quase dois meses. De acordo com a Secretaria de Saúde, o Estado deve à UPA 13 parcelas de R$ 125 mil. O G1 solicitou posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre o assunto nesta quinta-feira (5) e ainda aguarda retorno.

UPA está com o dobro da capacidade de atendimentos em Divinópolis, diz diretor (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)UPA está com o dobro da capacidade de atendimentos em Divinópolis, diz diretor (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

UPA está com o dobro da capacidade de atendimentos em Divinópolis, diz diretor (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

Interdição ética

Durante a coletiva, o Conselho Regional de Medicina (CRM) informou que será votada uma "interdição ética" da UPA nos próximos dias. O secretário de Saúde de Divinópolis, Rogério Barbiere, afirma que é à favor e foi um dos integrantes do grupo que solicitou a interdição ao CRM.

A interdição ética foi solicitada pela direção clínica e técnica da UPA e pela Secretaria de Saúde. “Eu solicitei também, pois como médico tenho obrigação ética junto a esse conselho e os motivos são: a superlotação e a condição de trabalho dos profissionais”, destacou Barbiere.

"A interdição ética não implica no funcionamento prático da unidade, que pode ser interditada eticamente com todos os funcionários lá dentro. Mas isso gera um desconforto, pois assim estamos sinalizando que a unidade está funcionando fora da lei e leva uma série de implicações. A regulação de leitos do Estado tem que arrumar lugar para os pacientes que estão lá e precisam pagar 13 parcelas atrasadas devidas diretamente para a UPA", ressaltou.

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