Fossa aberta no Mercado Central de Macapá gera reclamação de comerciantes (Foto: Rita Torrinha/G1)
Fossas abertas e transbordando na área interna do Mercado Central de Macapá vêm causando transtorno aos comerciantes, que reclamam do fedor, dos riscos à saúde e da falta de assistência do poder público. Pelo menos três fossas estão nessa situação, há cerca de um mês, dizem.
A Secretaria Municipal de Obras (Semob) garantiu que até a sexta-feira (15) o sistema de esgoto será limpo.
O ponto de venda de temperos e plantas medicinais de Astride Caldas fica localizado na parte de trás do mercado. A comerciante atua no lugar há 36 anos, dos 59 anos de idade. Ela conta que cada vez mais tem ficado difícil de trabalhar, pois a obra iniciada há dois anos não avançou, os espaços estão fechados e se deteriorando, e o vazamento das fossas, segundo ela, é resultado do abandono.
“Está insuportável continuar aqui. A gente fica de teimoso, mas o fedor é grande, e o líquido que sai das fossas é percebível que está contaminado, é podre, pode causar doenças. Encaminhei documento para o Ministério Público Federal e para o estadual pedindo informações sobre essa obra, porque a gente vive do que vende, e agora os frequentadores do mercado estão sumindo”, relatou indignada.
Sobre o andamento das obras, a Semob não soube informar quando será possível retomar os serviços.
Astride Caldas trabalha há 36 anos no Mercado Central de Macapá (Foto: Rita Torrinha/G1)
As fossas a céu aberto também estão prejudicando quem trabalha na frente do Mercado Central, com a venda de comidas. Socorro Lopes, de 49 anos, reclama da situação e conta que já houve acidente.
“Um senhor caiu no buraco outro dia, porque não está tampado, ele ficou cheio de imundice e gordura. Hoje [13] vendi somente duas refeições, isso porque o cliente não aguenta o fedor. Tem água servida espalhada pelo corredor de passagem, e realmente não tem como comer num ambiente assim”.
Socorro Lopes diz que movimento está fraco por causa do fedor das fossas (Foto: Rita Torrinha/G1)
Em setembro deste ano os comerciantes organizaram um protesto para cobrar providências do poder público. Com bolo, refrigerante e um abraço simbólico no prédio, eles pediram a retomada da obra e a volta de um espaço digno para se trabalhar.
A Prefeitura de Macapá anunciou o início das obras do Mercado Central no ano de 2015, com previsão de conclusão em 180 dias. Três datas de inauguração foram divulgadas e canceladas, a última foi para março deste ano. Os serviços estagnaram e o município explicou, à época, que a falta de disponibilidade de recursos federais foi a causa da paralisação, aliada a crise que afetou o país.
Água da fossa escorre por todo o corredor da área de vendas de comida (Foto: Rita Torrinha/G1)
O projeto de reestruturação prevê pintura, consertos na rede elétrica e hidráulica e substituição do telhado, além da construção de novos espaços para lanchonetes, banheiros e a montagem de um palco para atrações culturais.
Inaugurado em 1953, o Mercado Central foi considerado o reduto de compras das famílias amapaenses nos anos 1950. Atualmente, o local ainda preserva alguns serviços como a venda de hortifrútis e consertos de sapatos, juntamente com lanchonetes, peixarias e açougues.
Obras de revitalização do Mercado Central de Macapá estão paradas desde 2015 (Foto: Rita Torrinha/G1)
Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o VC no G1 AP ou por Whatsapp, nos números (96) 99178-9663 e 99115-6081.
0 comentários:
Postar um comentário