A delegada Edinéia Chagas disse que falta de fiscalização nas fronteiras fortalece organizações criminosas (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Roraima)
A delegada geral, Edinéia Chagas, afirmou na tarde desta sexta-feira (19) que a Polícia Civil sabia 'com precisão' que iria ocorrer uma fuga em massa em Roraima. Nesta madrugada, pelo menos 80 detentos fugiram da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo.
Os detentos fugiram por um túnel de 100 metros que ligava a ala 14, no 'Cadeião', à área externa da unidade. Cinco homens já foram recapturados, segundo o governo.
Durante a fuga, criminosos causaram uma pane elétrica e o presídio ficou meia hora sem energia. Três suspeitos de auxiliar na fuga foram presos.
Segundo Edinéia, a polícia sabia que a fuga ocorreria em razão das várias tentativas realizadas pelos presos.
"Podemos dizer, com precisão, que sabíamos que iria acontecer uma fuga dessa proporção pelas reiteradas tentativas", disse a delegada.
Em janeiro deste ano, dois túneis foram encontrados dentro da unidade prisional. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) afirmou que um deles foi usado nesta fuga.
Além disso, Edinéia afirmou que trabalhos realizados pela Polícia Civil apontavam para a ação.
A delegada reclamou também da falta de policiamento nas fronteiras pelo Governo Federal que, segundo ela, possibilita a entrada de armas venezuelanas no Brasil o que fortalece o crime organizado.
Alertas do sistema prisional
Questionado sobre a afirmação da delegada, o secretário da Sejuc, Ronan Marinho, disse que ela se referia aos constantes alertas que são recebidos pelo sistema prisional.
"O que a delegada geral disse é que nós temos diversas informações. O poder de alerta da penitenciáira é constante. Nós temos perto de 35 a 40 homens de plantão no entorno da penitenciária", afirmou o secretário.
A Penitenciária Agrícola de Monte Cristo é a maior unidade prisional do estado. Ela abrigava antes da fuga 1.182 presos e atualmente tem capacidade para apenas 650 detentos.
Fuga em massa
A escavação por onde os pelo menos 80 presos fugiram tinha cerca de 100 metros e foi feita da ala 14, onde fica o 'Cadeião', para a área externa atrás do maior presídio do estado. O 'Cadeião' abriga mais de 700 reeducandos.
Segundo Marinho, a fuga em massa foi organizada e executada por uma facção criminosa que atua dentro e fora do presídio. Entre os foragidos estão líderes da facção.
Três pessoas que deram apoio à ação foram presas pela Polícia Civil. Eles estão sendo ouvidos pela delegada Francilene Hoffmann, responsável pelo Grupo de Repressão às Ações Criminosas (Graco).
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