domingo, 25 de fevereiro de 2018

Assassinos de Gegê e Paca pousaram helicóptero no Rio Grande do Norte e tentaram destruir provas logo após o crime

O helicóptero que levava Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, pousou em uma mata no Rio Grande do Norte logo após o crime, onde os assassinos tentaram destruir provas do duplo homicídio. As informações são da reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (25), que mostra o passo a passo até a morte de Gegê e Paca.

Gegê do Mangue, apontado como o segundo chefe na hierarquia da facção criminosa PCC, de São Paulo ‒ abaixo apenas de Marcola ‒, foi morto a tiros na última quinta-feira (15) em Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza. O corpo dele, no entanto, só foi encontrado na sexta (16) e identificado no domingo (18). Ao lado dele estava outro membro da facção criminosa paulista, Fabiano Alves de Souza, o Paca, também foragido da Justiça.

Além das marcas de tiros, os cadáveres tinham marcas de tortura, com facadas nos olhos.

Segundo as investigações, a aeronave que transportava os dois, que tem capacidade para seis pessoas, saiu de São Paulo com sete ocupantes. Depois, ela foi usada na emboscada no Ceará, e na sequência fez um pouso no Rio Grande do Norte.

A principal suspeita para o crime é de que os assassinos são integrantes da própria facção e teriam agido a mando de Marcola. A motivação seria vingança.

Dois corpos são encontrados em reserva indígena em Aquiraz, no Ceará (Foto: Arquivo pessoal)Dois corpos são encontrados em reserva indígena em Aquiraz, no Ceará (Foto: Arquivo pessoal)

Dois corpos são encontrados em reserva indígena em Aquiraz, no Ceará (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo as investigações, Gegê e o comparsa não desconfiaram da emboscada. Eles teriam descido do helicóptero acreditando ter havido uma pane, e só depois foram torturados e mortos.

A polícia investiga se alguns dos assassinos já esperavam na mata. A aeronave usada no crime ainda não foi localizada.

Gegê e Paca passaram o carnaval em uma mansão avaliada em R$ 3 milhões, em um condomínio de luxo em Aquiraz. O imóvel e mais outra mansão avaliada em R$ 2 milhões, investigada pela polícia, estão no nome de laranjas.

Chefes de facção viviam no Porto das Dunas, área nobre do litoral cearense (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)Chefes de facção viviam no Porto das Dunas, área nobre do litoral cearense (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Chefes de facção viviam no Porto das Dunas, área nobre do litoral cearense (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Os criminosos usavam o período de férias para ir ao Ceará reencontrar familiares. Há fotos de Paca em janeiro do ano passado em um famoso parque aquático do estado.

De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, o deslocamento do chefe da facção e do comparsa era feito sempre por aeronaves fretadas que saíam do Paraguai ou da Bolívia direto para o Ceará.

Na portaria do condomínio de luxo em Aquiraz, o cadastro dos dois foi feito com nomes falsos. Gegê era “João Paulo Martinelli” e Paca “Carlos Fabiano Duarte”. Além de usarem documentos falsos, eles alegavam ser empresários que pretendiam investir na região.

No dia do crime, os dois passaram pela portaria pela última vez às 7h46.

Degraus do crime

Antes de se tornar chefe da maior quadrilha de São Paulo, Rogério Jeremias, o Gegê, começou no crime ainda na adolescência vendendo drogas no Bairro Vila Madalena, em São Paulo. A clientela eram os “descolados” que frequentavam os barzinhos do bairro.

Gegê do Mangue é um dos mais procurados no site da Polícia Civil de São Paulo (Foto: Reprodução/Polícia Civil de São Paulo)Gegê do Mangue é um dos mais procurados no site da Polícia Civil de São Paulo (Foto: Reprodução/Polícia Civil de São Paulo)

Gegê do Mangue é um dos mais procurados no site da Polícia Civil de São Paulo (Foto: Reprodução/Polícia Civil de São Paulo)

Gegê passou mais de 16 anos preso em 13 presídios diferentes. Foi solto pela última vez em fevereiro de 2017. Um ano depois, assassinado em uma emboscada.

Saiu da cadeia com um habeas corpus do ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, para aguardar julgamento por duplo homicídio em liberdade. Porém, não compareceu ao juri e passou a ser considerado foragido da Justiça.

Gegê foi condenado a 47 anos de prisão. Paca, foragido desde 2013, era condenado a oito anos de prisão por sequestro, roubo e tráfico.

Ficha de identificação civil de Paca (Foto: Reprodução)Ficha de identificação civil de Paca (Foto: Reprodução)

Ficha de identificação civil de Paca (Foto: Reprodução)

Tráfico internacional

Em liberdade, o chefe do PCC recebeu a missão de controlar as negociações de drogas no Paraguai e na Bolívia. Há suspeita de que ele passou a viver em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Foi nesse período que se aproximou de Paca, que já se escondia no país.

Segundo o promotor Gakiya, “a presença de dois líderes na região do Paraguai, da Bolívia, propiciou um ganho muito grande pra facção em termos do aumento da quantidade de droga que realmente a facção pôde exportar, inclusive para a Europa”.

Ostentação

O promotor também afirma que Gegê e Paca gastaram muito dinheiro do crime. O investimento chegava à ordem de R$ 10 milhões com mansões, casas de veraneio de luxo e carros importados.

Segundo informações do Ministério Público, um filho de Paca ganhou um carro Porsche, no valor de mais de R$ 300 mil, e estuda na Inglaterra.

“Tudo isso gera cobiça por parte daqueles integrantes que não estão na cúpula”, comenta o promotor Gakiya.

As investigações também apontam que Gegê e Paca podem ter se tornado alvos por estarem esbanjando dinheiro.

Bilhete encontrado na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau indica que Gegê do Mangue e Paca (nas fotos) foram mortos porque desviaram dinheiro da facção (Foto: Reprodução/Divulgação)Bilhete encontrado na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau indica que Gegê do Mangue e Paca (nas fotos) foram mortos porque desviaram dinheiro da facção (Foto: Reprodução/Divulgação)

Bilhete encontrado na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau indica que Gegê do Mangue e Paca (nas fotos) foram mortos porque desviaram dinheiro da facção (Foto: Reprodução/Divulgação)

No entanto, a principal suspeita recai sobre a motivação de vingança. Em dezembro, um ex-chefe da quadrilha, Edílson Nogueira, conhecido por Birosca, foi assassinado dentro da cadeia. A ordem teria partido de Gegê do Mangue, sem a permissão de Marcola, o chefe número um do PCC.

A Justiça determinou a prisão de 11 suspeitos de participação no assassinato de Gegê e Paca. Entre eles, o piloto do helicóptero, identificado como Felipe Morais. Ele tem passagem na polícia por tráfico e, em 2013, foi preso por fazer voos rasantes em uma cidade de Minas Gerais.

Um outro suspeito, Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Cabelo Duro, membro da facção criminosa PCC, foi executado com tiros de fuzil em São Paulo horas após ter a prisão decretada. Segundo as investigações, ele estava no helicóptero usado na emboscada.

A polícia investiga se a morte foi encomendada pelo próprio Marcola ou por comparsas de Gegê do Mangue.

Não há confirmações se algum dos suspeitos já foi preso.

Um dos últimos organogramas do PCC mostra que Marcola continua sendo o número 1 da facção, seguido por Abel Pacheco e Gegê do Mangue entre outros (Foto: Reprodução/MP)Um dos últimos organogramas do PCC mostra que Marcola continua sendo o número 1 da facção, seguido por Abel Pacheco e Gegê do Mangue entre outros (Foto: Reprodução/MP)

Um dos últimos organogramas do PCC mostra que Marcola continua sendo o número 1 da facção, seguido por Abel Pacheco e Gegê do Mangue entre outros (Foto: Reprodução/MP)

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