sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Investigador de Uberlândia preso em operação do Gaeco ganha liberdade provisória

O investigador da Polícia Civil, Harlei dos Santos Passos, que é suspeito de integrar uma associação criminosa investigada na Operação “100 Anos de Perdão”, do Ministério Público Estadual (MPE) em Uberlândia, teve o pedido de liberdade provisória concedido pela Justiça. De acordo com o advogado Yago Abrão, o benefício foi deferido pelo juiz da 2ª Vara Criminal da comarca da cidade nesta quinta-feira (10).

A defesa levou em consideração no pedido o fato de o policial ser réu primário e funcionário público. Harlei é acusado pelos crimes de organização criminosa e roubo qualificado.

“Ele nega os fatos narrados e com certeza vamos conseguir provar a inocência dele. Ontem à noite ele saiu de Belo Horizonte para vir para Uberlândia e irá se apresentar ao delegado regional para que possa reassumir o cargo enquanto responde ao processo em liberdade”, disse Abrão.

O G1 entrou em contato com a Corregedoria da Polícia Civil na capital mineira que informou, por meio da assessoria de imprensa, que a Delegacia Regional de Uberlândia ainda não foi notificada do alvará de soltura e, por isso, o investigador não irá reassumir a função de imediato. A apresentação ao delegado só ocorrerá após a notificação oficial do Judiciário.

Os demais policiais investigados continuam sob custódia na Casa do Policial Civil em Belo Horizonte.

Investigações

A operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia, no mês de maio, resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva contra 18 dos 19 investigados. Dentre elas, estavam policiais civis lotados em Uberlândia, Uberaba, Araguari e Patrocínio, no Alto Paranaíba.

De acordo com as informações do Gaeco, a organização criminosa se dividia em dois núcleos no Paraná e em Minas Gerais. O núcleo paranaense identificava as cargas que interessavam ao grupo e instalava rastreadores nos caminhões. Enquanto isso, o núcleo mineiro comandado pelo policial de Patrocínio aguardava a entrada dos caminhões no estado e os integrantes, incluindo nove policiais civis, faziam a prisão do motorista e a apreensão da carga.

Ainda segundo o MPE, os boletins de ocorrências lavrados pelos policiais civis que faziam as abordagens dos caminhões eram inconsistentes. Geralmente eram finalizados cerca de 24 horas depois do fato e, às vezes, relatando que o caminhão era encontrado aberto e sem o motorista próximo ao local.

Os policiais presos foram levados para a Casa da Custódia, em Belo Horizonte, e permanecem à disposição da Justiça. Eles também são investigados pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico e falsidade ideológica.

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